O Assassino – o Primeiro Alvo: será que vale a pena?

Após presenciar o assassinato de sua namorada por terroristas, o jovem  Mitch Rapp se prepara para vingança. Porém, pouco antes de concretizar seus planos, ele é capturado pela CIA e treinado como assassino de terroristas ao redor do mundo. Lembra James Bond? Parece Jason Bourne? Sim, mas independente da originalidade ou da falta dela, a questão é: será que “O Assassino – o Primeiro Alvo” vale a pena?

Assassino, não espião

Embora haja todo um jogo de inteligência e contra-inteligência, a junção do protagonista não é coletar informações. Sim, ele faz tocaias e vigias. Sim, a informação é de imenso valor para ele, mas pelo menos nesse primeiro filme não o veremos correndo atrás de um microchip. Isso é com outro departamento da CIA. O trabalho dos “mocinhos” aqui é matar, matar e matar, o que deixa o filme, definitivamente, bem mais brutal.

O diretor Michael Cuesta, nesse sentido, consegue fazer um bom trabalho. As cenas de ação se afastam do arroz com feijão hollywoodiano na medida certa. A escolha das posições e movimentos de câmera são bem feitinhas, com uma ou outra boa surpresa durante o filme. E sem apelar para o slowmotion nem deixar o expectador confuso sobre quem está batendo em quem.

O que chama atenção mesmo é o peso e a crueza das cenas de ação. Elas trazem uma dinâmica um tanto rara, até mesmo criativa, em relação a outros filmes do gênero. Rapidinho o público percebe que o protagonista é treinado para receber pancada de todos os lados. As variáveis envolvidas na briga (e na tortura) são menos usuais, com direito a variações na gravidade e a apanhar das paredes e teto. Fica claro que os envolvidos são bons de briga, mas não super humanos. Há um pezinho no gore e até eventuais gotas de sangue na tela. Contudo fica claro que esse não é o foco. O importante é a pancadaria, alimentada por uma raiva que Dylan O’Brien consegue marcar de maneira muito palpável no personagem.

O mistério não está no assassino

É essa raiva, talvez até sublinhada demais pelo roteiro, que marca e define o protagonista. Ao contrário de Jason Bourne, ele sabe muito bem quem é e o que quer. Mesmo que isso envolva tomar iniciativas contrárias à hierarquia. O resultado é um protagonista cativante, que fica cada vez mais interessante à medida em que se torna mais experiente.

É claro que o roteiro, baseado nos livros de Vince Flynn, ajuda bastante nessa façanha. Não, não é um roteiro bacanudo, mas constrói bem o protagonista, dando-lhe os diálogos e atitudes certos. O mesmo, infelizmente, não pode ser dito do vilão de Taylor Kitsch. Embora o ator faça um bom trabalho, as motivações do personagem não convencem. Já o mentor apresentado por Michael Keaton, apesar de uma cena mais caricata, parece mais convincente. Porém só vai ser melhor desenvolvido nos próximos filmes, se existirem. 

O Assassino: o Primeiro Alvo
Foto: Divulgação

Embora tivesse potencial para ser uma declaração de amor à América, exceto por um trecho do final, a bandeira estadunidense não se faz tão presente. Há estrangeiros com ações heroicas, passando a (boa) impressão de que terrorismo não é obra de extremistas, não de nações. E a raiva de Mitch Rapp é muito mais contra quem comete barbáries do que contra os inimigos dos EUA.

Embora o filme não passe no teste de Bechdel, há mulheres em posições importantes na trama. Mesmo que, eventualmente, tomem atitudes precipitadas (que remetem a um clichê de descontrole emocional), a bravura delas acaba compensando.

Vale a pena ver o Assassino?

Vale, e eu realmente espero que haja sequências, de preferência corrigindo os defeitinhos desse último filme. Embora dificilmente esteja no Oscar, o filme ainda é uma boa diversão, principalmente no cinema, nas últimas cenas.

“O Assassino: o Primeiro Alvo” estreia nos cinemas brasileiros no próximo dia 21.

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