Atômica: será que vale a pena?

Durante a guerra fria, uma agente britânica é enviada a Berlim para investigar a morte de um colega e recuperar uma lista de agentes duplos. O detalhe é que a agente é uma loira muito “do mal”, do tipo que faz marmanjos tremerem nas bases. Essa é a premissa de “Atomic blonde” (“loira atômica”, em tradução livre), lançado no Brasil com o título de “Atômica“. E aí? Será que esse “007 de saias” vale a pena?

Elenco: dupla atômica

A atriz que protagoniza o filme é ninguém mais ninguém menos que a oscarizada Charlize Theron. Estrela de primeira grandeza, sinônimo de beleza com interpretações afiadas, ela imprime quadro a quadro o seu empenho com o projeto. A loira já tinha exercido sua veia “atômica” em filmes como “Aeon Flux” e “Mad Max – Estrada da Fúria“. No entanto, esse parece ser o papel mais físico de sua carreira, com direito a oito personal trainers e dois dentes quebrados durante as filmagens.

Outro nome de peso no elenco é o britânico James McAvoy, famoso por seu carisma e pelas interpretações em “Desejo e Reparação” e “Fragmentado“. Seu personagem, no filme, é um prato cheio. O público é facilmente perdido na dúvida se as drogas e noitadas bos lados capitalista e socialista de Berlim realmente lhe soltaram uns parafusos ou se é tudo pose. O que, convenhamos, é perfeito para um filme de espionagem.

Foto: Divulgação

 

Os demais nomes do elenco não fazem feio, embora provavelmente não sejam imortalizados por suas performances nesse filme. Eddie Marsan faz um bom trabalho como o burocrata pego no meio do fogo cruzado. Sofia Boutella se mostra um pouco mais competente que em “A Múmia“, mas não tão carismática quanto em “Kingsman – Serviço Secreto” e “Star Trek – Sem Fronteiras“.

Coreografia e direção: mais uma dupla atômica

“Atômica” pode parecer meio lento logo no início, mas é uma obra prima do cinema de ação. Os planos sequência nas lutas do final do filme são soberbamente longos, imprimindo uma brutalidade incomum à história. Um resultado assim exige muita precisão do diretor (Parabéns, Mr. David Leitch!), mas não só. A sincronia de atores, fotografia, som, dublês e muito mais tem que ser absolutamente perfeita.

Foto: Divulgação

Fotografia e direção de arte também merecem elogios, principalmente a maquiagem. Os ferimentos da protagonista estão perturbadores, e é justamente essa a intenção. Os figurinos estão bem interessantes, mas talvez não tragam tanta nostalgia a quem viveu a época. Parte disso talvez seja por se tratar da transição entre os anos 80 e 90. Outro motivo provavelmente também é a veia punk pré-cluber da Berlim da época que, de alguma forma, ainda parece muito contemporânea.

Músicas do final da paranoia atômica

A trilha sonora é um show à parte. Ela resgata um rock mais melódico, que flerta desavergonhadamente com uma vibe mais eletrônica. Incluem-se aí nomes como David Bowie, Queen, George Michael, Marilyn Manson, New Order e Depeche Mode. Tudo combinando muito direitinho com o clima e a ação do filme, num ingênuo “bora festar antes que o apocalipse nuclear chegue”.

A única falha do filme, no fim das contas, é o roteiro. A opção de começar com o relato da protagonista logo após a viagem a Berlim acaba por tirar muito do suspense. Por outro lado, podiam não ter pegado tão pesado nas viradas do final do filme. Elas acontecem rápido demais, em número excessivo e de forma difícil de acompanhar. Terminar no segundo plot twist já funcionaria muito bem. Mesmo assim, há de se elogiar que o filme passa, mesmo que raspando, no teste de Bechdel ( \o/ ). E fica a dúvida, para as meninas responderem: as cenas lésbicas ficaram muito para marmanjo ver?

No Brasil, “Atômica” estreia nessa quinta, dia 31/08.

Confira também as críticas de “Os Guardiões” e “Emoji – o Filme“, que também estreiam nessa quinta.

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