Bryan Cranston e James Franco são destaques em comédia de natal

Em um teste rápido, se pedissem para citar alguma comédia natalina com uma tradicional família norte americana em apuros, muito provavelmente você teria a resposta. E se pedissem para citar outra comédia em que a filha queridinha do papai lhe apresenta seu novo namorado, fazendo com que sogro e genro mesmo se odiando tentem se conhecer, também não seria difícil responder. Pois é justamente uma junção dessas duas fórmulas que está no mote do filme Tinha Que Ser Ele? (Why Him?).

Ned Fleming (Bryan Cranston), sua esposa Barb e seu filho Scotty (Griffin Gluck) foram convidados a conhecer e passar o natal na casa do namorado da filha mais velha, Stephanie (Zoey Deutch). Ao chegar ao local, o primeiro choque da família é descobrir que o lar do tal namorado é uma ostensiva mansão, o segundo é saber que Laird Mayhew (James Franco) é um milionário que fez fortuna no ramo dos videogames e não parece se importar em pontuar cada frase que sai de sua boca com um palavrão. Esse e outros hábitos estranhos deixam o sogro nem um pouco satisfeito.

O resto da história é resultado de um roteiro que não se desvia muito do que já é esperado desse tipo de filme, oferecendo soluções e piadas já conhecidas pelo público. Logo, não é de surpreender que um personagem ou outro trave uma luta com as tecnologias presentes na moderníssima mansão de Laird, o que acaba rendendo momentos cômicos. Não surpreende também que haja situações engraçadas envolvendo elementos escatológicos como fezes e urina.

Mas o destaque mesmo está centrado no elenco, principalmente na atuação dos dois protagonistas. A construção dos personagens e a relação entre a dupla são o ponto alto do filme. Se por um lado Franco carrega nas pinceladas, e exagera intencionalmente em seu trintão desbocado e inconsequente, Cranston representa um responsável pai de família que beira a caretice e a rabugice. Ambos conseguem imprimir carisma em suas interpretações de modo que não as deixam chatas e histriônicas.

Como um todo, Tinha Que Ser Ele? não arrisca nem inova. Tem seus momentos divertidos e aposta não só em gags que podem provocar muitas gargalhadas como também apresenta alguns detalhes mais sutis que funcionam como pequenos gracejos. Por exemplo, à certa altura da trama, o filme brinca consigo mesmo ao colocar personagens diante de uma televisão assistindo a Esqueceram de Mim, filme que vem sendo reprisado nos natais desde a década de 1990.

Há que se admirar o ritmo da produção que, diferente de outras comédias semelhantes, não prioriza por uma edição frenética e turbulenta. O ritmo aqui é mais lento. Entretanto, o filme parece não querer acabar, e o final bem que poderia ser menos expositivo e mais direto ao ponto. Mas, para quem procura justamente um entretenimento com a fórmula já bastante explorada, Tinha Que Ser Ele? não vai decepcionar. E ainda dá um bônus de boas atuações de dois excelentes atores de Hollywood.

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