Crítica de Filme: Power Rangers

Filme traz Power Rangers de volta às telonas

Fenômeno mundial na década de 90, os Power Rangers começaram como uma prolífica série de TV que acabou sendo adaptada duas vezes para o cinema. A primeira adaptação é a mais famosa, Power Rangers: O Filme (1995). Agora, depois de anos esquecidos, eles voltaram.  Power Rangers, dirigido por Dean Israelite, nada mais é que a junção de duas vertentes cinematográficas rentáveis da atualidade: os blockbusters de super-heróis e os filmes de revival. Seguindo esse caminho, a nova produção deixa evidente que essa é uma tentativa de reacender a franquia, apelando para a nostalgia dos fãs enquanto procura atrair um novo público não familiarizado com termos como “morfar”, “zord” e “megazord”.

É assim que o filme se propõe a contar a origem dos rangers com uma nova roupagem. E talvez aqui resida o principal problema da proposta, uma vez que explicar por que adolescentes que se vestem com lycras coloridas e recebem ordens de uma cabeça falante não seja tão interessante, a menos que o filme não se leve a sério. Não é o caso. Apesar de haver muitos momentos de alívio cômico, como nos originais, Power Rangers foi repaginado para parecer como um filme de super-herói da Marvel. O problema é que toda a ideia original é tosca por natureza, então querer transformá-la em uma espécie de X-Men: Primeira Classe (2011) soa forçado.

Com quase duas horas de duração, o longa compromete a maioria do tempo narrando a convocação dos cinco adolescentes, a sua preparação, e os dramas pessoais de cada um deles. Durante todo esse tempo, o roteiro não consegue contar o “como tudo começou” sem cair em conveniências, irregularidades e explicações pouco convincentes. O fato é que o filme tenta naturalizar e empurrar goela abaixo do espectador uma história que, de tão naturalmente absurda, precisaria de uma narração complexa para torná-la verossímil. E que fique claro que não é o caráter fantasioso dos power rangers que é problemático, mas sim o tom épico que a narrativa adota.

O filme todo se encaminha para um confronto final, e quando finalmente este acontece, deixa a desejar. Além de acontecer tão rápido em comparação com os dois primeiros atos introdutórios, as cenas da batalha são anticlimáticas e confusas. Chega a ser decepcionante porque a tal luta parece que foi feita só para cumprir tabela. E o design de produção também beira o brega, e não de uma maneira intencionalmente irônica. Ao contrário da caracterização dos personagens da série original, o novo filme aposta em efeitos especiais de CGI que tentam se distanciar daquela produção que era mais artesanal. Mais uma vez, uma tentativa de trazer mais seriedade. O resultado é que agora ganhamos cinco novos Homens de Ferro em cores inéditas e um vilão sem uma identidade visual marcante.

Apesar desses desencontros, o filme funciona como entretenimento e é divertido. Mas também não tinha como não ser, já que repete tantos e tantos modelos de blockbusters semelhantes sem ousar surpreender. Além disso, o longa se apoia no carinho que muitos ainda nutrem por todos aqueles personagens, proporcionando momentos nostálgicos. Ao que tudo indica, Power Rangers foi feito para ter sequências. E ao menos que seja um fracasso total nas bilheterias, com certeza irá conseguir emplacar novas produções. Resta saber como os próximos filmes irão lidar com esse incomodo estrutural.

 

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