Gostosas, Lindas e Sexies: será que vale a pena?

“Gostosas, Lindas e Sexies” é uma boa ideia com uma execução de mediana a fraca. A história narra as alegrias e desventuras de quatro amigas que, apesar de gordinhas, insistem em ter uma vida. Abordar a gordofobia e a cultura da magreza a que somos expostos é uma ideia muito boa e necessária. Convenhamos: a Mãe-Natureza (ou, se preferir, a seleção natural) não é afeita à uniformidade, e sim à variedade. A espécie humana já deveria ter aprendido a celebrar, igualmente, as belezas das mais diferentes pessoas. E o filme é uma tentativa válida nesse sentido.

Não é por isso que quem assiste vai deixar de perceber os defeitos da película, a começar pelo roteiro. OK, arte não tem regras. Contudo, é difícil aplicar o formato novela a um filme de 1h e 50 min. E quando digo que o formato é de novela, não estou brincando. São quatro amigas? Pois temos quatro tramas paralelas, com apresentações, conflitos e resoluções próprios. Tudo parece muito superficial, fácil e rápido. E vários pressupostos trazem a sensação de que se perdeu uma série ou filme anterior.

A veia cômica também sofre. Só uma ou outra piada funciona, sem falar das partes politicamente incorretas no mau sentido da expressão. Em vários momentos as motivações e atitudes das personagens não convencem. E como se não bastasse, várias falas soam formais demais. Resultado: em “Gostosas, Lindas e Sexies”, fica quase impossível manter a suspensão da descrença.

As atrizes que interpretam as protagonistas também derrapam na performance. Sim, elas transmitem autoconfiança e sensualidade em vários momentos, mas isso não basta. Seja pela má qualidade do roteiro ou pela má direção do elenco, elas têm interpretações pouco críveis. Também sobre direção, tantos planos sequência com a câmera na mão deixam a edição (que já sofre com más transições) insossa. E finalmente, a direção de arte, volta e meia, traz uns objetos de cena difíceis de engolir.

Pontos positivos

O elenco de apoio, com seu “padrão global”, ameniza as falhas, inclusive com os parceiros das gordinhas convencendo bem nos beijos e amassos. O som está bem captado, tratado e sincronizado, o que em alguns filmes brasileiros é problemático. A fotografia funciona bem, com focos precisos, boas cores e ambientações. Figurino e maquiagem, principalmente para as festas, alcançam resultados interessantes, realçando a beleza das atrizes. Também é notável o fato de um diretor e um roteirista homens conseguirem representar bem o tesão e a sexualidade femininas. Não que isso justifique a misteriosa ausência de homens gordinhos no filme.

Apesar dos defeitos e de certa magrofobia  (as moças, apesar de admiradas por algumas magras, não desenvolvem essas amizades), “Gostosas, Lindas e Sexies” tem seu valor histórico. É o primeiro filme brasileiro a representar pessoas gordas de maneira positiva. Se isso é suficiente para ir ao cinema, já é outra história.

 

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