Homem-Aranha – de volta ao lar: será que vale a pena?

“Um garoto picado por uma aranha ganha superpoderes. Porém, a morte de seu tio lhe ensina que grandes poderes trazem grandes…”. Não, não, não, essa história todo mundo já conhece bem, mas não é sobre ela que vamos falar hoje. A história é outra. O ator é outro. A vibe é bem outra. E no meio de tanta mudança e adaptação, será que “Homem-Aranha: de volta ao lar” vale a pena?

E finalmente, um Homem-Aranha adolescente

Sério: todo fã reclamava que nunca tinham conseguido trazer de fato o Homem-Aranha para a telona. E um dos fatores, não desmerecendo o trabalho de Tobey Maguire e Andrew Garfield é que eles, apesar de jovens, não são adolescentes como o dos quadrinhos. Tá, o ator desse novo Homem-Aranha (Tom Holland) também já passou da “aborrecência”, mas convence MUITO como um garoto de quinze anos. Isso dá ao filme uma outra perspectiva, com outro senso de humor e outras questões que, de outra forma, passariam batidas.

E quando falamos de humor, não estamos falando de humor pastelão, aquele que não teria sentido algum na vida real. Sabe aquela rata mega-ultra-cósmica que você dava quando era adolescente e tentava impressionar? Sabe aquela risada que você, marmanjo, dá dos menores quando vê suas reações diante de certas coisas pela primeira vez na vida? Pois é: colocaram tudo direitinho no filme, que rende boas risadas, do começo ao fim, porém sem reduzir a gravidade dos conflitos do protagonista. Afinal, apesar de adolescente, ele se põe dia e noite na linha de fogo para proteger a vizinhança. Entre as risadas, sempre há aquele momento do “Uau! [email protected]#&LHO!!! Isso é muito barra pesada!!!”. O que, convenhamos é um equilíbrio bem difícil de alcançar em qualquer roteiro.

A dupla dinâmica Homem-de-Ferro e Homem-Aranha?

Porém, não é só por achar o tom que os roteiristas merecem o parabéns. Dar o tom certo a cada personagem, principalmente àqueles que já vem de histórias mais estabelecidas, também demonstra uma mega dose de virtuosismo. O humor ácido e esnobe de Tony Stark (Robert Downey Jr.) está todo ali, mesmo quando banca o mentor superprotetor. Tia May também não é mais a velhinha ingênua. Ela (Marisa Tomei) é a coroca enxuta e bonitona, com o tom vintage da boa e velha disco.

Cada um dos outros personagens também está muito bem escrito. Os adolescentes do ensino médio estão absolutamente convincentes, cada um com suas esquisitices, mas perdidos em sua falta de experiência. Quatro figuras, entretanto, merecem destaque: Ned (Jacob Batalon), o melhor amigo de Peter; Liz (Laura Harrier), a bonitona da escola; Flash (Tony Revolori), o antagonista social e a ácida Michelle (Zendaya). Aliás, apesar de Peter Parker ainda ser um rapazote branco, o filme é etnicamente bem colorido. E não, não estou falando só afrodescendentes pontuando aqui e ali.

O Abutre e outros vilões

Além da interpretação muito ajustada de Michael Keaton, há de se parabenizar também a equipe que desenvolveu o visual do antagonista. Nos trailers, ficava aquela sensação às vezes de Duende Verde, às vezes de Falcão. Porém, no filme, apesar de alguns exageros do roteiro, o Homem-Abutre preenche a tela como um cara realmente barra pesada, tanto com quanto sem armadura. Os brinquedinhos do Abutre são absolutamente coerentes com a história do personagem e, metáforas à parte, fariam qualquer vingador suar frio.

Seus comparsas também estão bem escritos e interpretados, mesmo quando aparecem só um pouco. Ademais, o roteiro tem suas reviravoltas bem bacaninhas, coisas meio óbvias porém colocadas de maneira tão brilhante que pegam, realmente, todo mundo de surpresa. Alias, depois que assistir o filme, cuidado para não soltar spoilers por aí, ok?

Roteiro, direção, figurino, efeitos, blá-blá-blá

Depois disso tudo, ainda preciso dizer o quanto roteiro está redondinho?  Pois é, roteiro bom faz bem pra bilheteria, mas direção supimpa também tem seu peso. Apesar de um tanto clássica, a direção desce suave, mas nada insossa. Com quadros e movimentos de câmera muito bem escolhidos, mesmo sem os tradicionais slow motions, o novato Jon Watts manda muito bem, obrigado. O mesmo pode ser dito dos outros departamentos do filme: figurino, fotografia, continuidade, efeitos especiais, etc. Tudo de primeira, como um bom block buster precisa ter.

Sim, é um filme praticamente irretocável. Sim, entra fácil nos melhores do ano. Sim, vale muito a pena ver, inclusive as duas cenas pós-créditos. E torcer para que o próximo, além de desenvolver os easter eggs desse longa, consiga manter o nível do novo Homem-Aranha.

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