Kingsman: O Círculo Dourado – Será que vale a pena?

No primeiro filme, Eggsy, um adolescente pobretão e encrenqueiro, é treinado pela Kingsman, uma organização secreta britânica focada em salvar o mundo. Essa continuação começa a destruição da Kingsman. A partir daí, Eggsy “Galahad” descobre uma agência aliada nos EUA e se unir a ela para salvar o mundo. O humor politicamente incorreto do primeiro longa continua, só que potencializado do início ao fim do filme. Aposta arriscada? Com certeza! Mas nossa questão é: será que “Kingsman: O Círculo Dourado” vale a pena?

Politicamente incorreto?

O primeiro filme era constituído por dois arcos narrativos. De um lado havia o treinamento do protagonista, mais focado em bullying e situações limite que em risadas. Do outro, havia a conspiração apocalíptica, essa sim repleta de humor pouco ortodoxo. A veia cômica era sempre algo situacional, situações ridiculamente extremas, mas ainda assim críveis. Não havia necessidade de apelar para nojo ou sexo. Havia tiradinhas espertas dos personagens (principalmente do vilão), mas elas não eram o carro chefe. A tônica era que trabalhar na Kingsman era tão ridiculamente perigoso e moralmente questionável que nada estava a salvo do humor negro.

Na continuação, não há mais treinamento. Eggsy já salvou o mundo algumas vezes e é um agente feito. Sobraria então explorar o casamento da ação desenfreada com o humor negro. Logo no começo do filme, a pancadaria corre solta nas ruas de Londres, deixando claro a que o filme veio. Talvez a coisa toda não se sustentasse sem bons respiros e elementos novos, que o roteiro conseguiu trabalhar bem até certo ponto. Contudo, o maior risco que o filme encarou foi o de cair desse muro escorregadio que é o humor politicamente incorreto. Afinal, por mais irreverente que seja, há de se manter algum bom gosto no humor.

Kingsman na corda bamba

Nesse sentido, os roteiristas são verdadeiros malabaristas. Num filme com mais de 140 minutos, até que conseguiram manter o nível das piadas. Sim, a história derrapa aqui e ali. Há uma “piada” bem desnecessária, baseada num clichê machista sobre as mulheres. O close na calcinha também poderia ter ficado de fora. Em verdade, o filme não passa no teste de Bechdel por uma má escolha no começo do filme. Fica a torcida para que aproveitem o final deste longa para que o próximo não seja mais um clube do bolinha.

Um pouco menos grave é apelarem para o nojo psicológico e visual em outros dois momentos do filme. Felizmente, a principal conspiração do roteiro rende, além de ótimas risadas, uma infinidade de críticas sociais. E o melhor: todos os ângulos dessa conspiração são explorados com igual humor e profundidade. Sobra até para o Trump, para quem souber ler nas entrelinhas.

Mark Strong e Taron Egerton em Kingsman: o Círculo Dourado
Foto: Divulgação

Outro ponto que souberam explorar bem foi o contraste entre os esteriótipos britânico e estadunidense. A diferença cultural é explorada de maneira divertida e inventiva, tanto nos codinomes quanto nas traquitanas dos agentes.

Velho sangue novo na Kingsman

A sequência traz boas adições ao elenco. Retornam as interpretações eficientes de Taron EgertonColin Firth e Mark Strong, mas os novos nomes têm função pra lá de importante. Julianne Moore, felizmente, sustenta a vilã que não foi tão bem construída quanto o do primeiro filme. Channing Tatum e Jeff Bridges estão bem divertidos em seus papéis. A oscarizada Halle Berry poderia ter sido melhor explorada, mas fica a torcida para que ela tenha mais espaço no próximo filme. Pedro Pascal se mostra bem competente nas cenas de ação e também na cafajestice quando necessária.

O nome mais divertido no elenco, entretanto, é o de Sir Elton John. O que a princípio parece ser uma mera ponta evolui para momentos realmente hilários. O personagem equilibra purpurina e coragem catárticos, com direito a piadas de duplo sentido que escapam da homofobia.

O retorno da dupla Jane Goldman e Matthew Vaughn (ambos no roteiro e ele na direção) é bem-vindo. As brigas em planos-sequência continuam impagáveis e a trilha sonora continua dialogando bem com a edição. No todo, o filme é, no mínimo, tão divertido quanto o primeiro. O que convenhamos, é um grande feito.

“Kingsman: o Círculo Dourado” estreia no Brasil hoje, dia 28 de setembro.

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