A Múmia (2017): será que vale a pena?

E se expandissem o filme “A Liga dos Cavalheiros Extraordinários” em um universo compartilhado entre filmes? E se, no mesmo ato, encolhessem o seriado “Penny Dreadful“, num conjunto de dez filmes? E se a proposta fosse ter ação, humor e terror nesse universo compartilhado? E se começassem esse universo compartilhado pela personagem da múmia, estrelando, ninguém mais, ninguém menos, do que … Tom Cruise? Bem, pois é. Essa é, mais ou menos, a proposta da versão 2017 de “A Múmia“, que estreou ontem, 8 de junho. O que vamos dizer aqui, caro leitor, é se essa salada de terror do primeiro filme vale ou não a pena.

Mesmo título, múmia diferente?

Um bom ponto pra começar são as diferenças entre esse filme e seu xará de 1999. Afinal, as semelhanças são tantas e tão desnecessárias que nem vale a pena tentar enumerá-las. A mais marcante poderia ser que o filme de 2003 tem uma múmia macho, e a de 2017 tem uma múmia fêmea. Tá, a sequência de 1999, “O Retorno da Múmia“, tenta emplacar uma contraparte feminina para a múmia. Entretanto, múmia, múmia mesmo, daquelas apodrecidas, só a masculina.

O que uma múmia feminina leva de diferente para o filme? Charme? É, sim, essa é uma múmia mais charmosa, que até usa seu poder de sedução para tentar alcançar seus objetivos. O que, felizmente, traz alguma originalidade à mitologia (em alguns momentos a sedução / influência mental dela acrescenta à trama), mas também ressuscita o clichê da vilã apaixonada. A atriz, aliás, é bonita (existe filme de Tom Cruize com atrizes feias?). E apesar da personagem, nos trailers, ser meio parecida com a “Enchantress” de “Esquadrão Suicida“, Sofia Boutella tem mais espaço e consegue aproveitar o que o roteiro lhe permite de profundidade.

Sem sal mesmo é a interpretação da parceira viva do mocinho, a arqueóloga Jenny Halsen, interpretada por Annabelle Wallis. Pra salvar, um pouco, tempos Russell Crowe no papel do Dr. Jenkyll (sim, de “O médico e o monstro“), que aliás, como Mr. Hyde, tem o único personagem bem construído e convincente da trama. Tom Cruise, que teoricamente teria tudo para fazer um filme interessante (ele costuma ficar bem em papel de soldado) está meio perdido. Perdido, na verdade, está todo o elenco. Seja com personagens de motivações frágeis e reações superficiais, seja com tentativas de piada que não dão certo devido a tensões criadas em outros momentos, tudo e todos no filme parecem meio sem substância e sem sal.

Pontos positivos da múmia

Não dá pra dizer, de maneira alguma, que o filme não tenha seus méritos. Está bem bonito, bem produzido, bem editado até. Os efeitos especiais estão, quase sempre muito bem feitos (exceto por um ou dois momentos em que os monstros parecem ser de massinha e stopmotion, o que parece ter sido uma homenagem que não ficou lá muito charmosa). O filme tem bons sustinhos com mortos vivos e zumbis. Pra quem gosta de ver muitos fantasmas e mortos-vivos, o filme é um prato cheio.

O filme é repleto de boas ideias de arrepiar: as íris duplas, os corvos e outros animais, os vidros, os zumbis na água, entre outras. Nenhuma dessas ideias, entretanto, amadurece o suficiente, sinal de que provavelmente foram pensadas mais para ficarem bonitas na tela do que para contribuírem, organicamente, para a coerência da história.

No fim das contas

O primeiro filme, sozinho, é fraco, o que não é um bom presságio para o Dark Universe planejado pela Universal. A sorte é que este é o primeiro de dez filmes. Muita coisa pode ser corrigida daqui até lá, principalmente a incontrolável vontade de transformar monstros em personagens bonzinhos. Come on, Universal! Uma boa saga precisa, mesmo, de bons antagonistas, bem embasados e convincentes. É hora de pegar bons roteiristas e focar em costurar bem as próximas histórias. Fica a dica.

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