Paixão Obsessiva: será que vale a pena?

Uma mulher conspira para transformar num inferno a noiva de seu ex-marido: esse é o mote de “Paixão obsessiva“(Unforgettable). Provavelmente seu cérebro acabou de disparar um “já viu isso em algum lugar”, e pode acreditar, que isso é verdade. Entretanto, há de se fazer justiça: “Paixão obsessiva” dá, no mínimo, uma repaginada na premissa. É um entretenimento razoável, que fez direitinho o dever de casa, mesmo que lhe falte muito para ser o primeiro da classe.

Fotografia, som, efeitos sonoros, trilha sonora, atuações, direção de arte, figurinos, direção: tudo segue a já consagrada cartilha de Hollywood. A premissa não é original, mas o roteiro cava algumas novidades. Há ingredientes de outras premissas, mesmo que já bem conhecidas, e formas mais tecnológicas de infernizar a vítima. Afinal, se nada se cria e tudo se copia, novas combinações de cópias são um bom começo.

Duelo de fêmeas

Por mais que existam outros elementos importantes na trama, esse é um filme centrado nas mulheres. Todos os homens, sem exceção, são coadjuvantes, e não há nada de errado nisso. O universo feminino, da infância à terceira idade, do papel de dona de casa à profissional de sucesso, está todo bem representado. Rosario Dawson, como Julia Banks, e Katherine Heigl, como Tessa Connover, interagem bem como a mulher descolada e caliente versus a tradicionalíssima e frívola socialite. São personagens inteligentes, apesar de derraparem em determinados momentos. Nada muito inverossímil se pensarmos que errar é humano.

Para seu filme de estreia como diretora na telona, Denise Di Novi, mais conhecida como produtora de filmes como “Edward Mãos de Tesoura” e “Se eu ficar”, não faz feio. Há planos e movimentos de câmera interessantes no filme, apesar de não serem os mais ousados.

No frigir dos ovos, “Paixão obsessiva” é um bom entretenimento, com tiradas razoavelmente inteligentes. É, no mínimo, um bom exercício mental.

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