Polícia Federal – A Lei é para Todos: será que vale a pena?

E eis que nesse 7 de setembro, entre coxinhas e mortadelas, estreia um filme sobre a polêmica da década no Brasil. Sim, estamos falando da operação Lava Jato. O filme “Polícia Federal – A Lei é para Todos” chega justamente com a proposta de aprofundar naquilo que a TV não mostrou sobre “a maior operação anticorrupção” da história do nosso país. A grande pergunta é: será que o filme vale a pena?

Polícia Federal vs Narcotráfico

O filme começa não muito diferente dos primos norte-americanos. Ou seja: a base de operações hight tech, a tensão antes da emboscada, a triangulação da ligação telefônica, a perseguição ao bandido, eventual troca de tiros, etc. A escolha dos planos, os cortes, a postura dos atores: é tudo bem parecido com os filmes gringos de ação policial. Entretanto, o público logo descobre que o “x da questão”, aqui, não é mero narcotráfico: é a corrupção. E para explicar tudo, segue uma pequena animação.

A animação é bem básica e bem humorada, cobrindo o histórico da corrupção desde 1500. E nesse começo chega-se, inclusive, a comentar sobre a corrupção no caso do Banestado (no governo FHC). Entretanto, essa pretensa neutralidade pára por aqui. O resto do filme, embora de maneira sutil para o público leigo, foca discaradamente na corrupção nos governos do PT.

Polícia Federal vs Empresários

Os verdadeiros responsáveis pela corrupção aparecem no segundo arco do filme, que é quando “a porra começa a ficar séria”. Os protagonistas (com interpretações no melhor estilo global, exceto, talvez por Bruce Gomlevsky ir um pouco além) logo descobrem que quem lava dinheiro para o tráfico também lava o dinheiro sujo de empreiteiras. Afinal, elas formam um cartel para distribuir, “de maneira justa”, quem vence cada licitação, sempre superfaturando as obras. Em troca, prestam favores financeiros e eleitorais a políticos.

Até aí tudo bem, o filme diz que isso sempre aconteceu. Contudo, assim como a cobertura da mídia que chegou para o povão, “Polícia Federal – a Lei é para Todos” vende a ideia de que os principais partidos envolvidos são PP, PMDB e PT.

Polícia Federal vs PT

Daí o filme mostra, de verdade, a que veio. Seja na jornalista chata, ou no tom de velhinho irritante que Ari Fontoura dá a Lula, a caveira é só do PT. Sim, há personagens que dizem ter votado no PT, e lá mais no final, um deles se pergunta a que forças estão servindo. Isso não justifica, de qualquer forma, não fazerem uma lista completa, no final do filme, de todos os partidos envolvidos pela operação Lava Jato. Isso, definitivamente, teria ajudado a emprestar mais credibilidade à possível imparcialidade do filme.

No fim das constas, “Polícia Federal – a Lei é para todos”, se mostra mais pretensioso do que poderia ser, sugerindo uma sequência. No fundo, a obra não é muito mais que uma série global com bela fotografia. Roteiro e direção não assumem nem ser drama, nem policial, nem ação, nem romance. Os 107 minutos de filme parecem muito mais longos do que realmente são.

O filme não funciona como entretenimento, nem como filme de arte, voltado para o questionamento. Afinal, nem chega perto de mostrar que o principal culpado pela corrupção no Brasil é o nosso “sistema democrático”. Afinal, enquanto políticos terão rabo preso enquanto dependerem de de financiamento particular para ganhar as eleições. O rabo preso, nesse caso, será aos que têm mais grana, que não vão hesitar em manipular o político, não importa se PT, PSDB ou PMDB, para alcançar seus interesses.

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