Real – o Plano por Trás da História: será que vale a pena?

Um retrato narrativo da criação do plano Real e de Gustavo Franco. Quem foi ele? Apenas o “pai” de nossa atual moeda, um economista ranzinza, inescrupuloso, idealista, e, economicamente, de extrema direita. Propaganda política à parte, fomos assistir “Real – o plano por trás da história” para descobrir se o filme vale ou não a pena.

A resposta depende, profunda e literalmente, do seu ponto de vista. Quer relaxar e esquecer da vida, se divertir e espairecer? Então, por favor, não assista. Com tanta gente gritando em cena, você vai sair tudo, menos relaxado, do cinema. Você é coxinha convicto(a), cansado(a) das petralhices que estragaram o Brasil nos últimos anos? O filme pode estar repleto de orgasmos políticos para você, mas cuidado! O lado feio do PSDB também é mostrado, mesmo que discretamente.

Você é da esquerda ferrenha? Pra você o filme só vai valer a pena se você tiver sangue frio de engolir as críticas à esquerda para garimpar as críticas à direita. Você já não aguenta mais as rinhas entre coxinhas e petralhas? Talvez então, dependendo do seu nível de stress, seja melhor deixar para ver o filme num outro momento. Agora, se você se encaixa em uma das seguintes situações:

  1. A sua preocupação é com cidadania acima de tudo, e você tem capacidade de enxergar além das propagandas políticas;
  2. A sua busca é por uma faceta mais humana da História daquele período, e você tem capacidade de enxergar além das propagandas políticas;
  3. Você procura uma visão mais clara do nosso confuso cenário político, desde que preste muita atenção para não se entupir de propaganda política…

Então parabéns, “Real – o plano por trás da história” é o filme que estava faltando você assistir.

A politicagem por trás do plano

Tecnicamente, o filme não é perfeito. A grosso modo, há movimentos de câmera interessantes, com fotografia e som razoáveis, além de uma reconstrução da época mais ou menos convincente. Cada departamento do filme, infelizmente, dá suas derrapadas. Há partes em que a fotografia escolheu mal a velocidade de gravação. O resultando foram imagens com uma movimentação estranha das personagens. Estranha também ficou a edição numa das brigas de Gustavo e a esposa, com falas extras das personagens inseridas artificialmente entre os cortes. Finalmente, a Biblioteca Nacional aparecer na Esplanada em plenos anos 90 é meio brochante para qualquer brasiliense.

Derrapadas à parte, o filme é bem movimentado, um verdadeiro berro contra “os desenvolvimentistazinhos de merda” da esquerda. Contudo, não é nem a esquerda nem a direita o grande vilão que Gustavo (decentemente interpretado por Emílio Orciollo Neto) enfrenta. O antagonista chama-se “politicagem”, que é a tendência dos poderosos para colocar prestígio, influência e ganho financeiro acima do que acreditam ser correto e benéfico para o país. Gustavo é um rolo compressor que esmaga tudo e todos que estejam entre ele e seu sonho de construir e manter uma moeda forte. Sacrifica sua família, não tem amigos, nem calma, nem descanso, nem afeto. É um paladino solitário, lutando, com todas as armas, pelo legado que chama de “minha moeda”.

No fim das contas, o filme retrata o lado humano e nada preto no branco da política. Seja pelo protagonista, ou por sua fiel assessora, pela jornalista, os colegas de trabalho ou os figurões da época, é a parte humana que torna tudo tão complexo no destino de nossa nação. E qualquer plano ou política que não esteja devidamente preparada para lidar com esses egos, ambições, ilusões e idealismos só vai funcionar por pura sorte.

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