A Torre Negra: será que vale a pena?

E chega aos cinemas mais um filme baseado na obra de Stephen King, com direito a magia, ciência, paranormalidade, múltiplas dimensões, pitadas de Western. Tudo, é claro, sem esquecer do protagonismo mirim, como em “O Iluminado” e “A Coisa“, só para citar alguns. Como sempre, a pergunta que não quer calar é: “A Torre Negra” vale ou não vale a pena?

A Torre Negra dos livros

Na literatura, “A Torre Negra” é uma série de oito livros, embora o oitavo não precise ser lido para se entender a saga. Muitos consideram esse como sendo o trabalho mais interessante de Stephen King, o que definitivamente não é pouca coisa.

Nos livros, o pistoleiro Roland Deschain peregrina entre mundos em busca da Torre Negra, que é a confluência do tempo e do espaço de todas as dimensões. No caminho, ele encontra mais cinco personagens, que serão sua “família”. É interessante notar que esses personagens vêm de mundos e épocas diferentes, cada um com seus antecedentes e particularidades.

Os livros foram inspirados no poema “Childe Roland à Torre Negra chegou“, e também na obra de Tolkien (sim, o de “O Senhor dos Anéis”).

A Torre Negra do filme: pontos fortes

Sem dúvida, o ponto mais positivo do filme é o elenco. A escalação de Idris Elba como Roland gerou desconfianças (questões étnicas, por incrível que pareça). O cara, porém, é um senhor intérprete, e é praticamente impossível não gostar dele no papel. Matthew McConaughey, o nome mais famoso no casting, nos entrega o feiticeiro Randall Flagg, um antagonista tão cínico quanto assustador. E o mais importante: a química entre ele e o personagem de Idris funciona muito, obrigado. 

Foto: Divulgação

Outro nome bem escolhido foi o do pequeno protagonista, Jake Chambers, interpretado por Tom Taylor. Sim, no filme é ele, e não Roland, o personagem principal. A história é toda contada a partir do ponto de vista do garoto, que representa, de certa forma, o público. Jake nasceu e cresceu em nossa época, sofre com bullying na escola e bate nos coleguinhas se lhe enchem o saco demais. Atormentado por pesadelos com a Torre Negra, Roland e Randall, ele passa a vida entre desenhar e ir ao psiquiatra, tentando convencer o mundo de que os pesadelos são reais. E o ator mirim cumpre bem o papel, entregando inocência, frustração, poder e fragilidade na medida certa.

A Torre Negra do filme: pontos medianos

O visual das criaturas do filme também está muito bacana. Conseguiram desenvolver uma estética própria, apesar do quão clichê elas poderiam parecer no início. Os efeitos visuais também estão bem interessantes, tanto para aparelhos tecnológicos, quanto para ações menos tecnológicas, como as habilidades do pistoleiro.

Direção e roteiro ficam a cargo do dinamarquês Nikolaj Arcel, mais conhecido pelo script de “Os homens que não amavam as mulheres“. O trabalho do moço, como diretor, é competente, mas não deslumbrante. Não dá também para negar a competência do moço como roteirista, mas uma série de más escolhas realmente prejudicou o resultado final.

A Torre Negra do filme: pontos fracos

A pior escolha que poderiam ter feito foi “tentar” concentrar todos os livros em 95 minutos. Por causa disso, no fim das contas, limaram uma miríade de personagens e acontecimentos interessantes. Na verdade, o mais corretor seria dizer que o filme é “inspirado” nos livros de Stephen King, ou seja, não é uma adaptação. Ainda assim, o película tem tanta informação que parece ter pelo menos duas horas. E mesmo quem não conhece os livros terá a sensação de que comprimiram tudo excessivamente.

A trilha sonora também pisa na bola em certos momentos. Ela chega a incomodar, seja entregando antecipadamente momentos cruciais, destoando do clima do momento, ou até forçando o tom épico onde não caberia. Outro ponto ruim: há poucas mulheres importantes no filme, e mesmo elas aparecem muito pouco.

No fim das contas, “A Torre Negra” vale a pena, na tela grande, principalmente para quem não conhece os livros. Ou para os fãs que conseguirem assistir sem se apegar à versão literária. Para esses, o filme pode render bons momentos na sala escura.

“A Torre Negra” estreia no Brasil amanhã, 24 de agosto.

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