Valerian e a Cidade dos Mil Planetas: será que vale a pena?

Centenas de anos no futuro, existe uma mega estação interplanetária onde mais de mil espécies, inclusive a humana, convivem. É a Cidade dos Mil Planetas, em cujo centro cresce uma misteriosa ameaça. Caberá então ao major Valerian e à sargento Laureline, entre tiros, naves, muita pancadaria e efeitos especiais, salvar a estação. Parece mais com Star Wars? Ou com Star Trek? Quem se importa? O que importa realmente saber é: será que “Valerian e a Cidade dos Mil Planetas” vale a pena?

Valerian e Laureline são personagens bem mais velhos do que parecem. Apareceram pela primeira vez numa revista de quadrinhos franco belga, em 1967. De lá pra cá, já vendeu mais 2,5 milhões de exemplares, sendo considerado o precursor do gênero Space Opera (ou novela espacial, em tradução livre).

Pontos fortes

O que mais chama atenção no filme, definitivamente, são o 3d, os efeitos especiais e as animações. Numa época em que o público já está saturado de pirotecnia vazia nas telas, combinar tantas cores e texturas é, no mínimo, corajoso. “Valerian e a Cidade dos Mil Planetas”, entretanto, vai além. O filme consegue coerência, na medida em que cria uma lógica visual para cada espécie alienígena. E não, não são todas elas que têm cores berrantes e bioluminescência. Na verdade, poucas têm.

O movimento das criaturas é um show à parte. De robôs carrancudos a alienígenas brilhantes, cada espécie foi animada com sua própria dinâmica. O resultado é uma diversidade superior a qualquer filme de alienígenas que se tenha visto até então. Não parece um bando de figurantes vestidos de alienígenas, nem robôs programados de maneira diferente. A impressão é que, realmente, cada criatura veio de uma gravidade ou até de uma dimensão própria.

Pontos não tão fortes

Luc Besson (de “O Quinto Elemento”, “Lucy”, “Nikita – Criada para Matar” e “Carga Explosiva”,  entre outros) assina roteiro e direção do filme. O francês entrega a já conhecida competência na direção. Os planos vão além do arroz com feijão, os movimentos de câmera são dinâmicos mas ainda compreensíveis. A direção dos atores, principalmente dos protagonistas, consegue a acidez do hábito e da rotina, como nas vezes em que colocam os cintos de segurança. Entretanto, ainda há espaço para o imprevisto, o medo e a vulnerabilidade, como quando a mocinha percebe a real utilidade do enorme chapéu que a fizeram usar.

No roteiro, o mérito foi apresentar o universo dos personagens de maneira palatável para o público que não é familiarizado com os quadrinhos. Mesmo que haja em algumas partes um didatismo artificial, como quando o computador da nave explica a atual situação da Cidade dos Mil Planetas. Há situações em que exploram bem as possibilidades desta ou daquela tecnologia, o que é algo sempre bacana em ficção científica. Noutras, entretanto, certas tecnologias parecem apenas figurativas, o que nunca é legal.

Pontos fracos

Apesar do romance ser um elemento presente nas HQs, ele acaba trazendo clichês desnecessários à telona. Aliás, quando os quadrinhos se chamavam “Valerian e Laureline”, o filme ser apenas  “Valerian e a Cidade dos Mil Planetas” faz pensar. Sim, mocinho e mocinha se salvam mutuamente, mas isso não impede que certos clichês sobre mulheres sejam reforçados. Laureline, aliás, é a única personagem feminina realmente importante na história. Mesmo a personagem de Rihanna aparece muito pouco tempo na tela (o que é um desperdício), e mal interage com a mocinha.

Foto: Divulgação

Ademais, o que era para ser a grande surpresa do final é algo que fica quase óbvio desde o começo do filme. O que não torna o filme ruim: só não o deixa tão emocionante quanto poderia ser.

Apesar dos pesares, “Valerian e a Cidade dos Mil Planetas” é um bom entretenimento para ver no cinema, em 3d. E embora não tenha um roteiro memorável, pode ajudar a inteligência emocional dos marmanjos diante das namoradas.

“Valerian e a Cidade dos Mil Planetas” estreia no Brasil hoje, dia 10 de agosto.

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