A Vilã: será que vale a pena?

Numa noite, uma mulher desconhecida invade o quartel general de um cartel coreano e, absolutamente sozinha, mata todos. Presa pela polícia logo em seguida, ela é recrutada por uma agência especializada em treinar assassinas do governo. Esse é o comecinho de “A Vilã“, filme coreano que estreia hoje, 23 de novembro. E como sempre, a nossa pergunta é: será que esse filme vale a pena?

Uma vilã chamada câmera nervosa

O que mais chama atenção no filme é, sem dúvida, a direção das cenas de ação. Toda a cena em que ela mata as dezenas de integrantes do cartel é filmada com o que se costuma chamar de câmera nervosa.  Ou seja: nada de movimentos suaves e a estabilidade tradicionais do cinema norte-americano. Em vez disso, a câmera chacoalha ao sabor da ação, independente de isso significar que a imagem vai ficar borrada. É uma técnica que ficou popular com “A Identidade de Bourne“. De lá para cá, ela tem sido copiada descaradamente, tornando-se praticamente regra em filmes de ação. Sabe aquele filme em que você se perde totalmente na pancadaria? Provavelmente ele abusou da câmera nervosa.

A câmera nervosa, em si, não é um demérito. A questão é que, quando combinada com cortes muito rápidos, ela torna a cena desorientadora. O que, além de disfarçar a falta de habilidade dos atores e atrizes, serve também para esconder coreografias mal pensadas e erros de continuidade. Sim, a câmera nervosa se tornou uma verdadeira vilã dos filmes de ação. Pelo menos até “Atômica” a combinar com o plano sequência, ou seja, com vários minutos filmados sem qualquer corte aparente.

De vilã a mocinha

Ok-bin Kim em "A Vilã"
Foto: Divulgação

Em “A Vilã”, essa técnica vai ainda além. Os primeiros minutos do filme, além de serem em câmera nervosa e plano sequência, são também em câmera subjetiva. Ou seja, a câmera imita o ponto de vista da protagonista. Num primeiro momento, dá pra pra ficar bem empolgado em se sentir “na pele” de alguém tão boa de briga. Porém, à medida em que a briga dura e a personagem é ferida ou quase morta, a cena se torna assustadora e angustiante. Um efeito que funciona muito bem combinado com as mudanças da distorção da lente e a respiração pesada da protagonista, tanto nos efeitos sonoros quanto nos movimentos da câmera.

O diretor Byung-gil Jung faz bonito também quando passa da câmera subjetiva para a tradicional sem cortes (E haja ensaio de atores!). E não só: o filme é recheado de belas tomadas e movimentos de câmera mais suaves. Os hollywoodianos que nos desculpem, mas o cara é, provavelmente, o melhor diretor de ação de 2017. O que é um enorme mérito, principalmente se pensarmos que ele também é o roteirista do filme.

O roteiro é bom, mas definitivamente tem seus pontos fracos, pelo menos para nós ocidentais. Em nenhum momento, um brasileiro teria a impressão de a protagonista ser a malvadona da história. Principalmente no meio do filme, quando a garota mais parece a “Maria do Bairro” das novelas mexicanas.

A nova vilã do filme

A choradeira dramática é onde, para nós ocidentais, o filme derrapa. Sabe-se lá como isso é recebido na Coreia e em outros países asiáticos, mas aqui parece tudo muito exagerado. E não é só a enxurrada de lágrimas não. A personagem é manipulada demais e, pela escolha de planos do final do filme, fica a impressão de que as manipulações estão só começando.

Foto: Divulgação

Nada contra as manipulações. No entanto, o papel dos homens na mesma é o que, para nós brasileiros, passa a impressão de que a misoginia lá é ainda maior que aqui. É algo que transparece também no treinamento das assassinas do governo, nas motivações da protagonista e em sua vida afetiva. Fica sempre a impressão de que mulheres nasceram para desejar a doçura do casamento e da maternidade.

Para quem conseguir sublimar essas partes, a história e direção, definitivamente, farão valer o filme valer a pena. Esse é um sério candidato a Oscar de melhor filme estrangeiro. E fica o genuíno desejo de ver mais trabalhos desse diretor.

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