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Antes que Eu Vá: será que vale a pena?

Antes que Eu Vá: será que vale a pena?

Quatro amigas bonitas e populares no último ano do High School. De repente, uma delas começa a reviver, infinitas vezes, o mesmo dia. Será que você já viu esse mote em algum lugar? Sim! E várias vezes. Depois disso, será que “Antes que Eu Vá” ainda vale a pena? Pois por mais incrível que pareça, a resposta é sim.

É em filmes como esse que se percebe, claramente, o quanto um bom roteiro faz diferença no filme. Pegue uma ideia já bem desgastada (como a camiseta do pijama da protagonista). Dê um tratamento decente, com alguma (nem precisa ser toda) profundidade, boas falas, reações críveis, bons personagens. Adicione uma direção minimamente atenciosa, boa fotografia, boa direção de arte, boa edição, bom som, boas atuações. Todo o restante pode ser o bom e velho feijão com arroz: se o roteiro é bom, o filme fica bom.

Bullying

Sim, este é um filme sobre bullying, o tema da moda nos States, mas não só. É um filme sobre questionar as relações quotidianas, sobre descobertas, segredos, amizades, qualidades e defeitos de cada um. Garotos podem tachar como um filme de meninas, e de certa forma estão certos: homens, aqui, são coadjuvantes. Não há batalhas, nem vilões (tá, talvez haja um verdadeiro cafajeste entre os personagens), nem intensas cenas de ação. É tudo muito singelo e aparentemente corriqueiro. Contudo, mesmo o mais durão dos machões pode entender o peso dessas situações. E mesmo sem nenhuma pirotecnia, o filme pode conquistar eles também.

Aliás, ao contrário de outros filmes de meninas, em “Antes que Eu Vá” o romance é secundário. Bem secundário, tanto quanto beleza e aparência. O campo de batalha é interno, e as relações redescobertas não são as românticas nem as sexuais: são as humanas. “Antes que eu vá” consegue um final estranhamente belo e inspirador. E após o filme, por mais breve que seja a vontade de ser uma pessoa melhor, ela faz tudo valer a pena. Ô, se faz!

Recomendadíssimo para adolescentes, pais, educadores e qualquer ser humano predisposto a um mínimo de inteligência emocional.

Sobre o autor | Website

Osíris Reis zanzou da Medicina à Mecatrônica antes de assumir a tara por Ficção Fantástica. Formado em Audiovisual pela Universidade de Brasília, é autor de “Treze Milênios” (ficção científica vampiresca), dos contos “Madalena” (Paradigmas 1), “Alma” (Imaginários 1), “Queda” e “Companheiros de Armas” (Fantástica Literatura Queer), da coletânea de contos “Sobre humanas fúrias”, condecorada com o Prêmio Cassiano Nunes do Fundo de Apoio à Cultura do Distrito Federal, e do romance seriado “Golem”, veiculado no portal Bearnerd. Xamã desde 2003, Osíris também é animador 3d, editor de áudio e vídeo, empreendedor, compositor e, para os íntimos, consultor tecnológico.

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