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Após vitória de Fernández, Bolsonaro diz que não irá parabenizá-lo e que argentinos ‘escolheram mal’

Seguindo a linha de seus comentários nos últimos meses sobre a eleição argentina, o presidente brasileiro Jair Bolsonaro rejeitou a vitória da chapa instituída por Alberto Fernández e Cristina Kirchner, afirmada neste domingo 27. Em entrevista a jornalistas antes de deixar Abu Dhabi, nos Emirados Árabes Unidos, Bolsonaro declarou que os argentinos “escolheram mal” seu novo chefe de Estado.

“A Argentina escolheu mal. Primeiro, foi o tal do Lula Livre, dizendo que ele [Lula] está preso injustamente. Ou seja, já disse a que veio”, criticou Bolsonaro, em relação à posição de Fernández em apoio ao petista durante a eleição. Durante seu discurso vitorioso, o atual presidente argentino defendeu a bandeira de “Lula Livre”.

Para Bolsonaro, a fala é uma “afronta à democracia brasileira e ao sistema judiciário brasileiro”: “Uma pessoa condenada em duas instâncias. Outras condenações a caminho. Ele está afrontando o Brasil de graça no meu entender. Nós estamos aguardando seus passos para, talvez no futuro, tomar alguma decisão em defesa do Brasil. Decisões em defesa do Brasil”, disse.

“Não pretendo parabenizá-lo, agora não vamos nos indispor. Vamos esperar o tempo para ver a posição real dele na política”, prosseguiu o presidente brasileiro em sua análise sobre a volta do peronismo ao poder no país vizinho. Anteriormente, Bolsonaro havia declarado que uma vitória de Fernández poderia transformar a Argentina em “uma nova Venezuela” e disse abertamente que faria campanha pela reeleição de Mauricio Macri.

Relações bilaterais e Mercosul

Sobre as relações bilaterais e Mercosul, o chefe brasileiro afirmou que “por enquanto, está tudo bem”. “Vamos esperar o banho de realidade que ele vai ter. A Argentina não vai bem, mas já ouvi falar que muita gente vai tirar os recursos de lá, tirar dinheiro, algumas empresas, e isso parece que já está acontecendo”, explicou.

Já sobre o acordo UE-Mercosul, o brasileiro adota uma posição cautelosa. “Se interferir, segundo o Paulo Guedes, nós não sairemos do Mercosul, mas podemos nos juntar ao Paraguai, não sei o que vai acontecer no Uruguai, e decidirmos se a Argentina fere alguma cláusula do acordo ou não. Se ferir, podemos afastar a Argentina. Mas espero que nada disso seja necessário. Espero que a Argentina, na questão comercial, não queira mudar o seu rumo.”

Crise no PSL

Nesta segunda-feira, após deixar os Emirados Árabes Unidos, Bolsonaro voltou a falar que busca alternativas para sair do PSL, que está mergulhado em disputas internas. Quando perguntado sobre um possível divórcio, o presidente disse: “vamos ver”.

Via: veja/exame

Foto: g1

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