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Círculo de Fogo: A Revolta – Será que vale a pena?

Círculo de Fogo: A Revolta – Será que vale a pena?

Há dez anos, a humanidade venceu a guerra. O inimigo? Monstros gigantes, criados numa dimensão paralela para devastar a nossa. Enquanto o mundo se recupera, o filho de uma lenda desiste de seguir os passos do pai. A menininha indefesa, órfã da guerra, cria sozinha seu próprio robô de batalha. Ela sabe (e o público também) que os monstros retornarão. Mas o que você precisa saber, antes de comprar o ingresso, é se “Círculo de Fogo: A Revolta” vale a pena. E a resposta está nos próximos parágrafos.

Círculo de Fogo: A Revolta que deveria ser a Ascensão que deveria ser a Reciclagem

Cá entre nós, esse não é um filme sobre revoltas e insurreições. “Círculo de Fogo: a Revolta”, tem sua dose de rebeldia, mas rebelião nenhuma. Quem traduziu o subtítulo preferiu o sentido figurado de “Uprising”, que é o mais usado. O segundo sentido, mais literal, é o que tem alguma relação com o filme: ascensão. É o erguer-se de uma nova geração de protetores. É a decolagem pra lá de arriscada antes do final do filme. É o juntar de peças velhas até que se levantem como armas novas, tanto dentro quanto fora da história.

Reciclagem, aliás, é a tônica do longa. Dos atores originais, só 3 coadjuvantes continuaram no elenco. Mudaram diretor e roteiristas. Mudaram os desafios. Repaginaram até os vilões. Ou não.

Tecnicidades

A direção é básica, o que ajuda, e muito, a que o filme não se transforme num “Transformers” (ops!) da vida. As atuações são bacanas, mas não brilhantes. A computação gráfica, embora não pareça, está melhor que a do primeiro filme. Afinal, as complicações de computação gráfica em cenas diurnas é que deixaram o primeiro filme tão escuro.

O roteiro está bacaninha, mas alguns podem achar meio brega. Não há mega reviravoltas, mostram apenas as principais camadas dos personagens. Agora, a criatividade de conceitos está ali, a todo vapor. E pra quem gosta de viajar nas novas possibilidades da ciência e tecnologia, isso é um prato cheio.

Poder Nerd Feminino

Não, carinhas, o filme não é sobre meninas chutando bundas masculinas. No entanto, mesmo discretamente, o filme coloca mulheres e homens em pé de igualdade. Em “Círculo de Fogo”, homens e mulheres salvam e são salvos. Coragem e talento podem vir de qualquer sexo.

A garota geniozinho é um modelo e tanto de empoderamento paras meninas e mulheres. Disfarçadamente, ela permeia o filme inteiro. Ela faz a diferença de inúmeras maneiras antes mesmo de ter noção disso.

Some a isso termos um protagonista negro, mulheres asiáticas poderosas sem precisarem de artes marciais e humor na medida certa. Sim, o filme pode entregar uma experiência bastante divertida, tanto nos diálogos, quanto nas lutas, efeitos especiais e soluções criativamente críveis para situações impossíveis. Basta não esperar muito dele.

“Círculo de Fogo: A Revolta” estreia no Brasil hoje, quinta-feira, 22 de março.

Sobre o autor | Website

Osíris Reis zanzou da Medicina à Mecatrônica antes de assumir a tara por Ficção Fantástica. Formado em Audiovisual pela Universidade de Brasília, é autor de “Treze Milênios” (ficção científica vampiresca), dos contos “Madalena” (Paradigmas 1), “Alma” (Imaginários 1), “Queda” e “Companheiros de Armas” (Fantástica Literatura Queer), da coletânea de contos “Sobre humanas fúrias”, condecorada com o Prêmio Cassiano Nunes do Fundo de Apoio à Cultura do Distrito Federal, e do romance seriado “Golem”, veiculado no portal Bearnerd. Xamã desde 2003, Osíris também é animador 3d, editor de áudio e vídeo, empreendedor, compositor e, para os íntimos, consultor tecnológico.

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