Críticas Eduardo Carvalho

Crítica de Filme: Power Rangers

Crítica de Filme: Power Rangers

Fenômeno mundial na década de 90, os Power Rangers começaram como uma prolífica série de TV que acabou sendo adaptada duas vezes para o cinema. A primeira adaptação é a mais famosa, Power Rangers: O Filme (1995). Agora, depois de anos esquecidos, eles voltaram.  Power Rangers, dirigido por Dean Israelite, nada mais é que a junção de duas vertentes cinematográficas rentáveis da atualidade: os blockbusters de super-heróis e os filmes de revival. Seguindo esse caminho, a nova produção deixa evidente que essa é uma tentativa de reacender a franquia, apelando para a nostalgia dos fãs enquanto procura atrair um novo público não familiarizado com termos como “morfar”, “zord” e “megazord”.

É assim que o filme se propõe a contar a origem dos rangers com uma nova roupagem. E talvez aqui resida o principal problema da proposta, uma vez que explicar por que adolescentes que se vestem com lycras coloridas e recebem ordens de uma cabeça falante não seja tão interessante, a menos que o filme não se leve a sério. Não é o caso. Apesar de haver muitos momentos de alívio cômico, como nos originais, Power Rangers foi repaginado para parecer como um filme de super-herói da Marvel. O problema é que toda a ideia original é tosca por natureza, então querer transformá-la em uma espécie de X-Men: Primeira Classe (2011) soa forçado.

Com quase duas horas de duração, o longa compromete a maioria do tempo narrando a convocação dos cinco adolescentes, a sua preparação, e os dramas pessoais de cada um deles. Durante todo esse tempo, o roteiro não consegue contar o “como tudo começou” sem cair em conveniências, irregularidades e explicações pouco convincentes. O fato é que o filme tenta naturalizar e empurrar goela abaixo do espectador uma história que, de tão naturalmente absurda, precisaria de uma narração complexa para torná-la verossímil. E que fique claro que não é o caráter fantasioso dos power rangers que é problemático, mas sim o tom épico que a narrativa adota.

O filme todo se encaminha para um confronto final, e quando finalmente este acontece, deixa a desejar. Além de acontecer tão rápido em comparação com os dois primeiros atos introdutórios, as cenas da batalha são anticlimáticas e confusas. Chega a ser decepcionante porque a tal luta parece que foi feita só para cumprir tabela. E o design de produção também beira o brega, e não de uma maneira intencionalmente irônica. Ao contrário da caracterização dos personagens da série original, o novo filme aposta em efeitos especiais de CGI que tentam se distanciar daquela produção que era mais artesanal. Mais uma vez, uma tentativa de trazer mais seriedade. O resultado é que agora ganhamos cinco novos Homens de Ferro em cores inéditas e um vilão sem uma identidade visual marcante.

Apesar desses desencontros, o filme funciona como entretenimento e é divertido. Mas também não tinha como não ser, já que repete tantos e tantos modelos de blockbusters semelhantes sem ousar surpreender. Além disso, o longa se apoia no carinho que muitos ainda nutrem por todos aqueles personagens, proporcionando momentos nostálgicos. Ao que tudo indica, Power Rangers foi feito para ter sequências. E ao menos que seja um fracasso total nas bilheterias, com certeza irá conseguir emplacar novas produções. Resta saber como os próximos filmes irão lidar com esse incomodo estrutural.

 

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Jornalista que escreve com os cinco sentidos. Cinema e literatura, e tudo que se encontra no meio.

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