Home > Política > Deputado Coronel Tadeu do PSL arranca exposição que trata sobre Racismo na Câmara dos Deputados

Deputado Coronel Tadeu do PSL arranca exposição que trata sobre Racismo na Câmara dos Deputados

Uma exposição que trata do racismo no Brasil virou motivo de bate-boca na tarde desta terça-feira, 19, na Câmara dos Deputados, véspera do Dia da Consciência Negra. O deputado federal Coronel Tadeu (PSL-SP) tirou da parede da exposição uma imagem em que aparecia um policial, de arma na mão, e um rapaz negro estendido no chão, com a camisa do Brasil e algemado. No cartaz, lia-se a frase “O genocídio da população negra”. Depois do episódio, o debate sobre racismo dominou o plenário da Casa.

O ato do deputado provocou reação imediata de deputados presentes na Casa. Ocorreu bate-boca na saída da exposição e gritos de “racista” em direção a Tadeu. “Ele não suportou uma exposição que registra a presença negra na história do Brasil nos diversos campos. E veio aqui e arrancou parte da exposição, onde havia a denúncia de um genocídio negro no Brasil”, disse a deputada federal Jandira Feghali (PCdoB-RJ).

“Ele arrancou tudo, destruiu tudo e cometeu o crime de racismo e quebra de decoro”, acrescentou. Jandira e outros parlamentares, como a deputada Benedita da Silva (PT-RJ), prometeram levar o caso ao Conselho de Ética da Câmara.

Desde o início do dia, a imagem arrancada por Tadeu vinha causando desconforto aos deputados da chamada “bancada da bala”. Anteriormente, o deputado federal Capitão Augusto (PL-SP) já tinha encaminhado ao presidente da Casa, deputado Rodrigo Maia (DEM-RJ), um pedido para que o cartaz fosse retirado da exposição.

“Conforme se verifica do conteúdo da imagem, há a absurda atribuição da responsabilidade pelo genocídio da população negra aos policiais militares, prestando-se, assim, verdadeiro desserviço junto à população que trafega pelas dependências da Câmara, retratando negativamente o salutar papel dos policiais militares para a manutenção da ordem pública no nosso país”, afirma Augusto em seu pedido a Maia.

O deputado é presidente da Frente Parlamentar da Segurança Pública e da Comissão de Segurança Pública.

Depois de arrancar o cartaz, coronel Tadeu voltou a criticar a imagem. “Colocar a PM como responsável pelo genocídio é inaceitável”, disse ao Estadão/Broadcast.

Outro deputado do PSL questiona genocídio negro


No plenário, o debate é intenso. O deputado Daniel Silveira (PSL-RJ) questionou o genocídio negro. “Quando falam essa falácia aqui que o negro morre por ser negro é uma grande mentira”, afirma. “Alguns vão à mídia para falar que acham que o negro morre, porque ele é negro. Ele morre, porque sustenta um fuzil”, afirmou.

Parlamentares da oposição criticaram a atitude do deputado Coronel Tadeu. “A violência de rasgar uma placa de uma exposição dentro do Congresso é compatível com a violência que se vê nas periferias e favelas por parte do Estado”, afirmou o deputado Marcelo Freixo (PSOL-RJ).

O deputado Orlando Silva (PCdoB-SP) classificou como “inaceitável” a atitude. “É inaceitável, é desonroso para esta Casa que um deputado federal não tenha tolerância, não respeite a história dos negros no Brasil, não perceba a gravidade do genocídio praticado nessa sociedade contra a juventude negra e pobre da periferia do Brasil”, disse.

A bancada do PSOl afirmou que irá protocolar representação no Conselho de Ética da Câmara e na Procuradoria Geral da República contra o deputado Coronel Tadeu.

Fonte: Terra

Imagem: Luis Macedo/Câmara dos Deputados

You may also like
Após programa do último domingo, Silvio Santos é acusado de racismo nas redes sociais
Governo afirma estar mais aliviado após sumiço de Carlos Bolsonaro das redes sociais
Eduardo Bolsonaro e outros 17 parlamentares são punidos pelo PSL
Por equívoco, governo veta liberação de dinheiro para órgãos públicos