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Emissão de dióxido de carbono, causador de mudanças climáticas, bate recorde este ano

Estamos vendo isso chegar há anos. Alertas dos cientistas não faltaram e a verdade é que há muito tempo grande parte do mundo vem ignorando os efeitos das emissões de gases nocivos à natureza na relação com as mudanças climáticas no planeta. Agora, entretanto, não há como ignorar os protestos: fatos e pesquisas apontam que estamos perto de atingir um novo recorde de emissões de dióxido de carbono (CO2), especialmente devido à queima de combustíveis fósseis.

Até o final de 2019 teremos uma inundação de cerca de 36,8 bilhões de toneladas de CO2 na atmosfera — ainda maior do que a maior marca anterior, de 36,57 bilhões de toneladas registradas em 2018, segundo dados mensais relatados e estimados para diferentes regiões. A alta do uso de petróleo e gás natural prevê que esses níveis continuarão subindo, mesmo com a baixa da queima de carvão. Os dados são de um levantamento divulgado nesta quarta-feira (4) pelos pesquisadores da Environmental Research Letters.

“A maioria das energias renováveis desenvolvida atualmente não substitui o carvão e outros combustíveis fósseis — está [apenas] adicionando novas energias”, afirma o cientista ambiental Rob Jackson, da Universidade de Stanford. Em outro artigo, que também será anunciado nesta quarta na Nature Climate Change, Jackson e seus colegas defendem políticas climáticas globais que cortem o uso direto de combustíveis fósseis, a exemplo da retirada de usinas a carvão e a implantação de tecnologia que absorva carbono da atmosfera.

Uso de energia renovável não está dando conta

Muitos países estão aproveitando energias renováveis. Nos Estados Unidos, a alimentação eólica aumentou cerca de 8% em relação a 2018, enquanto a solar subiu 11%. No Brasil, essa frente ultrapassou a marca histórica de 1 gigawatt de potência instalada. Em apenas dois anos, o número de painéis solares montados por aqui aumentou mais de 560% — o que era 7,4 mil saltou para 49 mil unidades em todo o Brasil, segundo o último levantamento da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel).

Mas essa tendência não é suficiente para conter as emissões globais, que estão impulsionando as mudanças climáticas, derretendo as calotas polares e acelerando incidência de furacões. “O carvão é o único combustível fóssil que mostrou indício de declínio”, destaca Jackson. O uso mundial de carvão caiu ligeiramente, 0,9%, em 2019. A queda foi de 10,5% nos Estados Unidos e de 10% na União Europeia, segundo a equipe de pesquisadores. No ano passado, o cidadão global médio gerou cerca de 4,8 toneladas de emissões de CO2; o estadunidense médio foi responsável por 16,6 toneladas.

Só que o gás natural e o petróleo tiveram alta de 2,6% e 0,9% nesta temporada, respectivamente — o que acaba ofuscando o benefício alcançado pelo declínio da queima de carvão. Além disso, as emissões de CO2 continuam aumentando na China, Índia e grande parte do mundo em desenvolvimento.

Jackson complementa dizendo que, embora as emissões em solo ianque e na Europa tenham caído cerca de 1,7% em 2019 e isso seja promissor, os Estados Unidos ainda seguem usando “mais do que a cota que deveria de combustíveis fósseis”.

Fonte: Science News & Canal Tech

Imagem: Getty Images/Lukas Schulze