Entenda como a terceira idade tem um papel importante no crescimento da economia


No começo de janeiro, uma associação de aposentados nos Estados Unidos, a AARP, publicou uma pesquisa sobre o poder da economia da longevidade naquele país. Contrariando o pensamento equivocado de que a população idosa representa um peso para a sociedade, o resultado do levantamento segue na direção oposta: o contingente acima dos 50 tem um papel imporante na expansão econômica.

Nos EUA, há 117 milhões de 50 mais, o que corresponde a 35% da população. Em 2030, somarão mais de 130 milhões. O segmento que mais cresce é o acima dos 85 anos, seguido pelo dos centenários. Essa população contribuiu com 8.3 trilhões de dólares para a economia norte-americana em 2018: algo em torno de 33 trilhões de reais.

Para cada dólar gasto no país, 56 centavos saíram de suas carteiras. Ainda segundo a pesquisa, a estimativa é de que, em 2050, mais de 100 milhões de empregos (45% do total) estarão vinculados ao grupo da terceira idade.

E esse não é o único detalhe. De acordo com o estudo da AARP, se considerarmos o trabalho não remunerado dos mais velhos que auxiliam na criação de netos, são cuidadores de parentes ou amigos, ou empregam parte de seu tempo como voluntários, isso representaria, em moeda, algo em torno de 745 bilhões de dólares (quase 3 trilhões de reais).

São números importantes que só potencializam o que este blog demonstrou em diversas colunas: existe uma miopia generalizada sobre esse mercado. O próprio levantamento se encarrega de destacar áreas que teriam muito a faturar se focassem nesse público.

A princípio, a de serviços financeiros, uma vez que a longevidade nos obriga a saber como poupar e investir. Na área tecnologica, existe um universo a ser descoberto para atender às necessidades de idosos conectados que querem aprender, se divertir e se relacionar online.

Em 2018, 54% do dinheiro gasto em turismo e lazer saiu dos bolsos da terceira idade – o que dá a dimensão do potencial do setor para agradar a quem dispõe de tempo e recursos para viajar. Por fim, mas não menos importante, o mercado de cuidadores já expandiu por lá e o mesmo acontecerá no Brasil. Viveremos mais tempo, com saúde e capacidade de nos manter produtivos.

Essa é uma grande realização e tem que ser encarada como o sucesso que realmente é, livre dos estereótipos que persistiram até hoje. Eu adoraria que fizéssemos pesquisa semelhante no Brasil. Guardadas as devidas proporções, também demonstraria o potencial econômico da terceira idade, sessentões, setentões e por aí vai.

Fonte: Bem Estar

Imagem: Getty Images