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Entenda o motivo pelo qual famílias brasileiras perdem a oportunidade de investir

As famílias brasileiras estão mais endividadas que há dez anos, e um dos motivos é a perda da capacidade de investimento, de acordo com informações da Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF) revelada nesta sexta-feira (4) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Segundo o levantamento, na última década aumentou em 1,1 ponto percentual (p.p.), na média, o comprometimento da renda das famílias com a chamada “diminuição do passivo”, que equivale ao pagamento de dívidas. Na última edição da POF, concluída em 2009, ela respondia por 2,1% das despesas de consumo das famílias. Já em 2018, esse percentual passou para 3,2%.

Em contrapartida, no mesmo período diminuiu em 1,7 p.p. o comprometimento da renda para o aumento do ativo, que representa o investimento em patrimônio, que vem a ser a compra à vista de bens imóveis duráveis, como terrenos e imóveis, aplicação em fundos de investimento e títulos de capitalização, por exemplo. Em 2009, o aumento do ativo representava 5,8% do comprometimento da renda, percentual que caiu para 4,1% em 2018.

No mesmo período, as despesas de consumo e outras despesas correntes se mantiveram relativamente estáveis, o que mostra que o investimento foi prejudicado pelo pagamento de dívidas.

“Se o aumento do ativo tivesse caído por conta do aumento dos gastos de consumo, a diminuição do passivo não poderia aumentar”, apontou o gerente da pesquisa, André Martins.

As despesas de consumo corresponderam, em 2018, a 81% do orçamento familiar. Em 2009, esse percentual era de 81,3% — uma queda de apenas 0,3 p.p..

“O que estamos observando é que tem uma parcela maior do orçamento familiar dedicada ao pagamento de empréstimos e financiamentos”, afirmou o pesquisador.

Ricos investem mais e contraem mais dívidas

Com orçamento maior, as famílias com maiores recursos têm condições de comprometerem-se mais com o aumento do ativo quanto com a diminuição do passivo. Isto é, podem investir mais e reduzir mais dívidas que as mais pobres.

Segundo a POF, em média, a família brasileira, em 2018, comprometeu R$ 188,76 com o aumento do ativo, sendo R$ 126,55 com a compra de imóvel, R$ 62,02 com reforma de imóvel e R$ 0,20 com outros investimentos.

Para as famílias da classe de economias mais baixas, no entanto, esse comprometimento foi, em média, de R$ 20,92 (R$ 7,05 na compra de imóvel, R$ 13,84 com reforma e R$ 0,03 com outros investimentos). Já para famílias de condições mais alta de renda, o valor médio de investimentos foi de R$ 995,43 (R$ 815,52 na compra de imóvel, R$ 178,28 com reforma e R$ 1,64 com outros investimentos). Assim, as famílias de renda mais baixa investem, cerca de 2,1% do que as de mais alta renda.

Pela perspectiva do pagamento de dívidas, quanto menor a renda também é menor o comprometimento do orçamento. Para as mais pobres, a diminuição do passivo correspondeu a 2,4% do total de rendimentos, enquanto para as mais ricas este percentual foi de 3,01%.

Na média, as famílias brasileiras comprometeram, em 2018, R$ 150,38 do seu orçamento com o pagamento mensal de dívidas, o que equivaleu a 3,2% do total de despesas mensais. Deste valor, R$ 109,58 foi destinado ao pagamento de empréstimos e R$ 40,80 ao financiamento de imóveis.

Entre as famílias de maior renda, R$ 526,24 (R$ 394,19 com pagamento de empréstimos e R$ 132,04 com financiamento habitacional) em média foram comprometidos mensalmente com a diminuição do passivo, o que corresponde a 3,7% das despesas totais.

Já entre as famílias mais pobres, o pagamento de dívida chegou, em média, R$ 30,33 mensais (2% das despesas totais), sendo R$ 27,62 com empréstimos e R$ 2,71 com financiamento.

Fonte: G1

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