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It – A Coisa: será que vale a pena?

It – A Coisa: será que vale a pena?

A pequena cidade de Derry passaria despercebida não fosse um detalhe: o elevado número de desaparecimentos, especialmente de menores de idade. Até que, unidas por bullying, tragédia e assustadores avistamentos de um palhaço, sete crianças confrontam esse mistério. Os pequenos chamam o palhaço de “It”, ou, em português, “A Coisa”. Afinal, a entidade parece ser tudo, menos um palhaço normal. Independente do nome, esse post é para responder: e aí? Será que “It – A Coisa” vale a pena?

A coisa da fidelidade

Sim, “It – A Coisa” é a adaptação de um livro. Pra ser mais preciso, de um livro do mestre do terror, Stephen King. A obra já foi adaptada para uma série de TV dos anos 90. No entanto, ao contrário da série, o filme apresenta um tipo mais inteligente de fidelidade.

O filme é bem fiel ao clima da história, mas opta por uma abordagem totalmente cronológica. Enquanto o livro, de mais de 800 páginas, intercala dois arcos narrativos, um no passado e outro no presente, o filme simplifica as coisas e coloca tudo na ordem que aconteceu. O que permite, inclusive, outra decisão muito acertada: dividir tudo em duas partes.

A maioria das cenas essenciais ao livro está presente no filme, inclusive com direito a pitadas de tortura física e psicológica. Outras, mais polêmicas, ficaram de fora. Se quiser saber que polêmicas são essas, clique aqui. No entanto, cuidado: haverá spoilers nesse link.

A coisa do elenco

Se tem algo que o filme acerta é na escolha do elenco, em especial o infantil. Convenhamos: arranjar 7 atores mirins com carisma, técnica, características físicas e entrosamento adequados é um feito e tanto. São nomes como Jaeden Lieberher (perfeito como o gaguinho do grupo) e o gordinho Jeremy Ray Taylor. A talentosa Sophia Lillis, que consegue ficar ainda mais bonita quando sua personagem tenta ficar mais feia, dá um show quando precisa chorar. Isso sem esquecer de Finn Wolfhard (do aclamado Stranger Things), do afro-americano Chosen Jacobs e dos certinhos Jack Dylan GrazerWyatt Oleff.

Foto: Divulgação

Bill Skarsgård, como o palhaço (ou seria a palhaça?) Pennywise, está pra lá de assustador. Sempre transbordando sadismo, em nenhum momento ele parece um palhaço do mundo real. Junte a isso a escolha de um figurino mais século XIX e pronto: está criada a aura sobre natural de Pennywise, “a Coisa”.

A coisa da direção

O diretor  Andy Muschietti, de Mama, faz bonito. Sim, ele segue a cartilha básica do terror, com antecipações e suspenses já clássicos. Porém, também inova ao brincar com diferentes inclinações do horizonte da câmera, por exemplo. Em alguns momentos talvez exagere em transformar praticamente todo suspense em susto (falta um pouco de suspense frustrado) ou no uso da trilha sonora tensa. Sim, há momentos da história em que “a Coisa” parece se conter demais”, mas isso tem a ver com sua real natureza. Nada que estrague o filme.

“It – A Coisa” deve agradar ao público que não conhece o livro e também os fãs menos xiitas do calhamaço de Stephen King. O filme estreia nessa quinta, 7 de setembro.

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Sobre o autor | Website

Osíris Reis zanzou da Medicina à Mecatrônica antes de assumir a tara por Ficção Fantástica. Formado em Audiovisual pela Universidade de Brasília, é autor de “Treze Milênios” (ficção científica vampiresca), dos contos “Madalena” (Paradigmas 1), “Alma” (Imaginários 1), “Queda” e “Companheiros de Armas” (Fantástica Literatura Queer), da coletânea de contos “Sobre humanas fúrias”, condecorada com o Prêmio Cassiano Nunes do Fundo de Apoio à Cultura do Distrito Federal, e do romance seriado “Golem”, veiculado no portal Bearnerd. Xamã desde 2003, Osíris também é animador 3d, editor de áudio e vídeo, empreendedor, compositor e, para os íntimos, consultor tecnológico.

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