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Meus 15 Anos: será que vale a pena?

Meus 15 Anos: será que vale a pena?

Meus 15 Anos“: o título soa como irmão de “Pollyana moça”. Já o mote parece ter saído da Califórnia: “Bia é uma garota tímida, alvo frequente da zoeira da escola. Apesar de não querer uma festa de quinze anos, o pai a inscreve num concurso do shopping e bum! Ela ganha a melhor festa de 15 anos que o dinheiro pode comprar, com direito a show da funkeira Anitta. De repente popular, a garota deixa para trás amigos e valores que antes julgava importantes.” Aparências à parte, vamos atrás da verdade sem preconceitos. E aí? O filme “Meus 15 anos” vale a pena?

Técnica

Principalmente quando comparado à média brasileira, “Meus 15 anos” está num padrão técnico bem elevado. Objetos cênicos, figurino, som, fotografia (a iluminação das festas ficou caprichada) e edição estão bem redondinhos. Bem mais que em outros filmes brasileiros que seguem a estética “novela global”. Aliás, a Globo Filmes não participa do projeto, nem a Ancine. São o SBT e a mexicana Televisa Cine que aparecem nos créditos.

A direção (da paulista Caroline Fioratti, mais uma prova do poder delas como diretoras) está bem apurada, principalmente na escolha dos planos e na continuidade. A direção de atores também está bem bacana, embora as interpretações das personagens adolescentes derrapem aqui e ali.

Mesmo assim, o elenco foi bem escolhido. Larissa Manoela, que interpreta a protagonista, convence bem nos momentos mais importantes do filme. Há uns três momentos em que o tom da atriz para as falas soa mais artificial. São, em geral, momentos ou em que Bia assume um comportamento que não é o seu, ou mais quotidianos. Nada, entretanto que atrapalhe a história, principalmente considerando-se os 16 anos de idade da atriz. 

A melhor interpretação do filme fica a cargo de Rafael Infante, que interpreta o pai de Bia. O ator funciona muito bem tanto nos momentos cômicos quanto nos dramáticos, construindo uma personagem absolutamente cativante. Priscilla Marinho também acerta em cheio o tom da organizadora da festa, com caras e bocas na hora certa.

Enredo e roteiro

A história, baseada num livro com o mesmo nome, tem momentos divertidos e dramáticos que vão além dos moldes norte-americanos. Afinal, por mais que crianças e adolescentes brasileiros pratiquem bullying, não temos uma tradição de castas sociais tão forte quanto nas escolas de lá. Aqui, o normal é que a coisa seja mais velada, não ultrapassando o limite da zoeira. E “Meus 15 anos” traduz bem essa sutileza para a telona.

Contudo, o grande mérito está na resolução do conflito, que traz calma e centramento incomuns nos filmes hollywoodianos. Traz até, em verdade, empoderamento para as meninas dessa geração. Afinal, o ritual de debutante, para elas, se resume a isso: ser princesa por um dia. É ter uma noite perfeita, com direito a dançar com o príncipe encantado. É o mais próximo que chegarão de alcançar a felicidade, que, no imaginário capitalista, depende de manipular o mundo externo. No frigir dos ovos, trocar a realização social pela realização pessoal, como a história propõe, acaba sendo o melhor negócio que alguém pode fazer. Porque qualquer profissional de psicologia pode atestar que felicidade real vem através de ajustes e descobertas do mundo interno.

É principalmente por esse final que o filme vale a pena, de maneira mais óbvia, para meninas e todos que participam, de alguma forma, de seu crescer. Mesmo para os demais, depois de vencido o preconceito sobre o filme brasileiro de meninas com título docinho, “Meus 15 anos” pode  trazer interessantes insights. E, principalmente, deixar o dia bem mais leve e bonito.

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Sobre o autor | Website

Osíris Reis zanzou da Medicina à Mecatrônica antes de assumir a tara por Ficção Fantástica. Formado em Audiovisual pela Universidade de Brasília, é autor de “Treze Milênios” (ficção científica vampiresca), dos contos “Madalena” (Paradigmas 1), “Alma” (Imaginários 1), “Queda” e “Companheiros de Armas” (Fantástica Literatura Queer), da coletânea de contos “Sobre humanas fúrias”, condecorada com o Prêmio Cassiano Nunes do Fundo de Apoio à Cultura do Distrito Federal, e do romance seriado “Golem”, veiculado no portal Bearnerd. Xamã desde 2003, Osíris também é animador 3d, editor de áudio e vídeo, empreendedor, compositor e, para os íntimos, consultor tecnológico.

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