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Trump acusa Bolsonaro de desvalorizar real e anuncia restauração de tarifas sobre aço e alumínio

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, comunicou na manhã desta segunda-feira (2) que o país vai reaver as tarifas aplicadas ao aço exportado pelo Brasil e pela Argentina. Ele se responsabilizou pela decisão por causa da desvalorização do real e do peso argentino em comparação ao dólar.

“Brasil e Argentina estão promovendo desvalorização em massa de suas moedas, algo ruim para os nossos fazendeiros. Portanto, tendo efeito imediato, vou restaurar as tarifas sobre aço e alumínio que são importados aos Estados Unidos desses países”, escreveu o chefe americano no Twitter.

Trump também solicitou que o Banco Central dos Estados Unidos adote medidas para impedir que países “tirem vantagens de nosso dólar forte”. “Isso torna as coisas muito difíceis para nossos fabricantes e fazendeiros exportarem seus bens”, declarou.

Horas depois de declarar a medida, Trump foi indagado por jornalistas sobre a represália ao Brasil e à Argentina. “Se você olhar o que aconteceu com o câmbio deles, eles desvalorizaram o seu câmbio de modo substancial, em 10%. A Argentina também. Eu havia dado a eles um grande alívio tarifário, mas agora eu estou retirando isso. É muito injusto com a nossa indústria, é muito injusto com nossos fazendeiros. Nossas companhias de aço vão ficar muito felizes, nossos fazendeiros vão ficar muito felizes com o que eu fiz”, falou.

O comandante brasileiro, Jair Bolsonaro, disse que primeiro vai conversar sobre o assunto com o ministro da Economia, Paulo Guedes, antes de se manifestar sobre a decisão de Trump.

“Se for o caso, ligo para o Trump. Eu tenho um canal aberto com ele”, afirmou o líder brasileiro.

Hoje, as taxas são de 0,9%, para o aço e 2% para o alumínio.

Trump registrou que a medida teria “efeito imediato”, mas não está definido se a sobretaxa dos produtos brasileiros eleita temporariamente no ano passado (25% sobre o aço e 10% sobre o alumínio) nem quando ela de fato passará a valer.

Dólar x real e peso

Setores exportadores do Brasil e da Argentina têm se privilegiado do câmbio favorável e da luta comercial entre os Estados Unidos e a China, ocupando espaços de produtos antes exportados por fazendeiros e empresários americanos. Em contrapartida, os EUA são os maiores compradores do aço feito no Brasil, em um mercado que movimenta US$ 2,6 bilhões (ou R$ 8,6 bilhões).

Em uma trajetória crescente, o dólar chegou a atingir na semana passada R$ 4,27, o maior valor nominal da história sobre o real.

Nos lances do último boletim Focus, publicado semanalmente pelo Banco Central com a projeção de economistas para os principais indicadores, a moeda americana encerrara o ano de 2019 cotada a R$ 4,10 — a projeção era de R$ 4 na semana anterior.

Conforme analistas, a alta do dólar sobre o real e o peso argentino (ocasionado pela derrota do presidente Mauricio Macri nas eleições) retrata a preocupação de investidores e gestores de recursos com as turbulências na América Latina, como os protestos no Chile e a incerteza política na Bolívia.

Impacto no Brasil

Em março do ano passado, a chance de uma eventual sobretaxa para o aço e o alumínio exportados pelo Brasil gerou medo entre produtores brasileiros.

À época, em meio à guerra comercial com a China, o presidente americano informou taxas de 25% sobre o aço e de 10% sobre o alumínio comprados pelos EUA de outros países, mas deixou de lado Brasil, Argentina, Austrália, União Europeia e Coreia do Sul.

O preço, que agora será reparado, chegou a valer por um tempo sobre o aço e o alumínio brasileiros, mas depois o domínio americano concedeu um descanso com cotas aos produtos do Brasil.

Em 2018, o presidente americano procurava meios de diminuir o déficit de sua balança comercial e deu abertura à discussão, quando declarou que a indústria do aço dos EUA teria sido “sitiada” durante décadas por adversários estrangeiros “que ganharam a vida tirando proveito” de leis de comércio desfavoráveis aos americanos.

Segundo Trump, a concorrência causou demissões em massa e tomou os EUA com “aço barato”.

No caso da China, por exemplo, o chefe americano declarou que o desenvolvimento da indústria exportadora se daria à custa de empregos que poderiam ser desenvolvidos nos EUA, por empresas americanas.

Como resultado dessa ofensiva, Trump registrou nesta segunda-feira que a sobretaxa escolhida no ano passado, que olhava principalmente a Rússia, Turquia e Japão, levou a uma alta de 21% das Bolsas americanas.

No entanto, para se diferenciar dos chineses, os brasileiros alegam que a indústria brasileira compra produtos americanos feitos a partir do aço exportado pelo Brasil, como carros, maquinário pesado e locomotivas, fazendo o dinheiro circular.

Nos dias de hoje, os principais produtos da linha de exportações brasileira para o país são semimanufaturados de ferro e aço, petróleo, celulose e café. Juntos, esses produtos são responsáveis por quase 30% dos embarques para os EUA em 2018, segundo os dados do Ministério da Economia relativos ao ano passado.

Do total das exportações, 6,8% foram aviões, refletindo a atuação — e a importância — da Embraer.

Entre os produtos que brasileiros importam dos americanos, pouco mais de 26% são combustíveis – óleo diesel e fuel-oil (18%), gás propano liquefeito (3,2%), gasolina (2,9%) e etanol (2,6%), considerando os dados fechados de 2018.

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