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Tudo e Todas as Coisas: será que vale a pena?

Tudo e Todas as Coisas: será que vale a pena?

“Uma princesa num castelo de vidro. Um príncipe de coração atribulado. Será que o amor pode vencer tudo?” Não, essa não é a sinopse oficial de de “Tudo e todas as coisas”, romance adolescente que estreia hoje, mas bem que poderia ser. A história é bem mais moderna, com direito à princesa fugindo do castelo de vidro altamente tecnológico. Tudo lá é esterilizado, das roupas ao ar. O motivo? A princesa é portadora de uma séria deficiência imunológica congênita. Como em Jimmy Bolha, só que sem direito à comédia.

A protagonista Maddy Whittier, interpretada por Amandla Stenberg, a pequena mártir de Jogos Vorazes, só não morre de tédio devido aos livros e à internet. Pelo menos até ver, pela janela, o charmoso Olly Bright, interpretado por Nick Robinson, o irmão mais velho de Jurassic World. Ele logo dá um jeito de passar o número de seu smartphone para ela. E bingo: um romance virtual repleto de momentos fofos surge na tela. No fim do filme, fica a pergunta: será que “Tudo e todas as coisas” vale a pena?

Pontos fortes

O primeiro ponto que chama atenção é a interessante imaginação da protagonista. Afinal, quando se vive tão sozinha assim, a imaginação tem mesmo que ser muito trabalhada. As conversas digitais começam com balões na tela enquanto os jovens digitam no celular. Contudo,logo se tornam divertidos diálogos surreais nos cenários que ela imagina. Aliás, todos as falas entre os dois são muito bem escritas, combinando perfeitamente inteligência, bom humor, autenticidade, intimismo e charme. A química entre os protagonistas funciona muito bem, obrigado, e as atuações de todo o elenco estão bem interessantes.

Outro ponto que chama atenção é a fotografia. Junto com a boa escolha de ângulos da diretora Stella Meghie, temos cenas com cores lindas, ótimo foco e distribuição dos elementos cênicos. Definitivamente, imagens para ver na tela grande. Elas realmente reforçam e traduzem o sentimento da protagonista: a vontade de experimentar “tudo e todas as coisas” nos mínimos detalhes. Porém…

Não se pode ter “Tudo e todas as coisas”

Os pontos fracos existem, e são marcantes. O primeiro é que o filme é lento, realmente lento. Afinal, sem um antagonista explícito, o filme é bem mais contemplativo do que a maioria da audiência está acostumada. Para os marmanjos, rola um único soco o filme inteiro, o que provavelmente tornaria tudo tedioso para eles. Tendencialmente, rapazes (e até parte das moças) sairão da sala com a sensação de muito açúcar na pele, com as doces cenas do filme. Tão doces que podem ser classificadas por alguns como nada intensas, uma verdadeira fuga da visceralidade real da vida.

Porém, o mais complicado pode ser o final. Alguns podem considerá-lo brilhante. Outros podem considerar uma preguiçosa trapaça narrativa para não encarar certas questões. No fim das contas, o filme deve encantar fãs da saga Crepúsculo, com aquele romance platônico, à moda antiga, que começa à distância e sem tocar. E principalmente, uma história onde o conflito principal é saber se o amor realmente pode superar “Tudo e todas as coisas”.

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Sobre o autor | Website

Osíris Reis zanzou da Medicina à Mecatrônica antes de assumir a tara por Ficção Fantástica. Formado em Audiovisual pela Universidade de Brasília, é autor de “Treze Milênios” (ficção científica vampiresca), dos contos “Madalena” (Paradigmas 1), “Alma” (Imaginários 1), “Queda” e “Companheiros de Armas” (Fantástica Literatura Queer), da coletânea de contos “Sobre humanas fúrias”, condecorada com o Prêmio Cassiano Nunes do Fundo de Apoio à Cultura do Distrito Federal, e do romance seriado “Golem”, veiculado no portal Bearnerd. Xamã desde 2003, Osíris também é animador 3d, editor de áudio e vídeo, empreendedor, compositor e, para os íntimos, consultor tecnológico.

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